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O desafio de dispensar a carne e se entregar ao vegetarianismo

Para aderir, o segredo está na disciplina e na busca dos nutrientes necessários.

Seja por motivos religiosos, pela busca de uma vida mais saudável ou pela preservação da fauna, muita gente tem deixado de se alimentar com produtos de origem animal – leia-se carne vermelha, de aves, peixes e seus derivados. Os vegetarianos se abstém apenas do consumo de carnes enquanto que os veganos são conhecidos por excluírem de sua rotina também os laticínios, ovos, mel, gelatinas e artigos feitos em couro.

Há casos como o do consultor Luiz Jacintho, que segue a dieta vegetariana há 50 anos, numa experiência que, segundo ele, tem dado certo. Mas para repetir esse exemplo bem sucedido é preciso tomar alguns cuidados. A nutricionista Mônica Schneider alerta sobre a necessidade de uma alimentação equilibrada. "O ser humano precisa de proteínas, carboidratos e gorduras na devida proporção à sua faixa etária", explica. Conforme Mônica, um adulto saudável que deseja adotar o vegetarianismo deve ser orientado sobre as substituições necessárias para suprir a ausência dos nutrientes contidos nos alimentos de origem animal.

NUTRIENTES
A nutricionista Ana Harb salienta que adeptos do vegetarianismo podem, de fato, conquistar benefícios para a saúde. "Eles têm menor nível de colesterol, menores taxas de mortalidade por doenças cardiovasculares, menor índice de obesidade, menor incidência de alcoolismo, constipação, câncer de pulmão e diabetes", afirma. E ela acrescenta que uma dieta bem planejada pode suprir a maioria dos minerais, vitaminas, carboidratos, lipídios e proteínas exigidos pelo organismo.

Porém, Ana também observa que é preciso tomar cuidado, pois os vegetarianos não abdicam apenas de comer carne. Eles também abrem mão de nutrientes importantes e, por este motivo, devem estar atentos à quantidade de proteínas e calorias ingeridas diariamente, evitando problemas como desnutrição e anemia. "Quando a dieta não é balanceada e a alimentação é muito restrita, pode ocorrer o surgimento de deficiências nutricionais", explica.
Antes das mudanças alimentares é preciso buscar orientação. A dieta vegetariana não é recomendada, por exemplo, para crianças e adolescentes, porque nessa idade a fisiologia encontra-se em desenvolvimento. "Se houver a real necessidade desta conduta alimentar, é interessante que a família seja acompanhada por um profissional competente, que irá indicar as devidas substituições e irá monitorar os níveis sanguíneos e a quantidade de ácido fólico e vitamina B12", conclui Mônica.

Cinco décadas

Há 55 anos, o consultor Luiz Jacintho (foto) pegou emprestado do amigo, o artista plástico Ernesto Frederico Scheffel, um livro sobre alimentação naturalista. Os argumentos do autor, um médico italiano, fizeram com que Jacintho refletisse sobre seus hábitos alimentares. "O doutor comparava carnívoros e herbívoros. Os carnívoros têm presas para rasgar a carne e começar a digestão, os herbívoros não", explica.

Conforme Scheffel, as leituras influenciaram Luiz Jacintho. "Eu entro como ponte, porque emprestei o livro ao Luiz. Como, na época, eu almoçava na casa do estudante do Rio de Janeiro, não tinha como seguir a dieta. Devo dizer que nós todos deveríamos ser preparados nesse campo", argumenta Scheffel que, mesmo não seguindo a dieta vegetariana, valoriza uma alimentação saudável.

Depois de ler a obra, Jacintho ficou predisposto a se tornar um vegetariano. "Todos me diziam que o médico italiano e eu estávamos loucos. Falavam que não era possível e que ninguém poderia viver sem carne", lembra. Mas foi nesse momento que Luiz Jacintho conheceu um vegetariano de Novo Hamburgo. "Conversei com esse senhor, que era funcionário dos Correios, e ele me disse que não ingeria carnes há anos", comenta.

Mas foi em um restaurante que o consultor decidiu abandonar de vez a carne. "Pedi um bife a pé. Quando trouxeram o prato, cortei a carne, olhei, coloquei de lado e disse para a minha esposa: a partir de agora, vou até o fim com a experiência", conta.

A decisão completará 50 anos na terça-feira, 15. Neste dia, Jacintho pretende reunir 50 amigos para homenageá-los e comemorar a data. Aos 83 anos de idade, o consultor afirma que a saúde está em dia. "Acredito que só tenha ganhado com essa decisão", diz.

Luiz Jacintho excluiu das refeições somente carnes. A alimentação balanceada faz parte da rotina de Jacintho. No café da manhã, ele ingere iogurtes, frutas e fibras. "Não como nada que voa, nada que nada e nada que anda", finaliza.

O segredo

O segredo dos vegetarianos está em alcançar a quantidade de nutrientes que o corpo exige, sem a ingestão de carnes, através de combinações de inúmeras fontes. Por isso, após a adoção da dieta, o ideal é fazer a compensação dos alimentos que foram excluídos das refeições. Essa substituição deve contemplar o equilíbrio do plano alimentar. Leguminosas, cereais, frutas, legumes e laticínios ajudam neste reparo.

"Caso a dieta não inclua leite e seus derivados, o ideal é ingerir vários tipos de legumes verdes, como brócolis, couves, espinafre, de modo a incluir alimentos que são fontes de cálcio e ferro na alimentação diária", explica a nutricionista Ana Harb.

Enquanto a dieta ovolactovegetariana, que permite a ingestão de ovos e derivados do leite, pode ser adotada sem risco significativo, uma dieta vegetariana radical apresenta ameaças de deficiência nutricional. "Torna-se essencial uma monitorização rigorosa e a correção de qualquer insuficiência, sempre com o acompanhamento de um especialista", conclui Ana.


Por: Daiane Pires/Da redação - Diário de Canoas

Publicado em: 13/02/2011

Fonte: http://www.diariodecanoas.com.br/site/noticias/geral,canal-8,ed-60,ct-196,cd-306023.htm

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